Paul Auster
A noite do Oráculo: Sydney Orr é a personagem central do livro “A noite do Oráculo”, o livro com livros lá dentro: faz-nos entrar no processo criativo do escritor (de Auster ou de Sidney?) num trapézio com as histórias que se desenvolvem em paralelo. Desde o fascínio pelos cadernos portugueses à aterradora pressão do livro em branco, com este livro somos levados até ao terreno da dúvida entre o destino e o fabuloso mundo das coincidências. Aquilo que me fascina no estilo do escritor, é também esta capacidade de traduzir o quotidiano dotando a escrita de pormenores que nos enlaçam à história. ”Romance hipnótico, reflexão sobre a natureza do tempo, e uma viagem pelo labirinto da imaginação de um homem, A Noite do Oráculo é um tour de force narrativo que confirma a reputação do autor como um dos mais arrojados e originais escritores da América dos nossos dias”
O livro das ilusões: Após a morte da mulher e dos filhos num acidente de avião, David Zimmer entra em depressão. Para fazer face à sua solidão inicia uma espécie de circuito dos filmes do cinema mudo de Hector Mann que o levam a escrever um livro sobre ele. Hector é dado como desaparecido desde 1929. David Zimmer decide refugiar-se e começa a traduzir "Memórias do Túmulo" de Chateaubriand (este nome só me fazia lembrar o bife Chateaubriand, mas afinal trata-se de um escritor romântico) e a história desenvolve-se com a chegada de cartas que fazem crer que Hector afinal está vivo.
E sobre mais não me posso pronunciar porque ainda só vou com a leitura a meio! Na página da Asa podem ler que "o poder narrativo de Paul Auster transporta-nos bem para lá da magia do cinema mudo e mergulha-nos no coração de um universo muito pessoal, em que o cómico e o trágico, o real e o imaginado, a violência e a ternura se misturam e dissolvem. Com O Livro das Ilusões, Paul Auster – um dos mais talentosos e originais escritores americanos - oferece-nos aquela que é, porventura, a mais rica e empolgante das suas obras".
No entanto para mim, “A noite do Oráculo” foi uma leitura mais cativante, um percurso sinuoso pelos labirintos da história, a confirmar essa capacidade que Auster tem de nos deixar no meio da teia, que depois não se desfaz, que nos deixa suspensos à espera do desenvolvimento (que não vem) nas última páginas da história. Dá-nos a sensação que o resto da história ficou por contar - então e o que aconteceu depois? Foi com tristeza que cheguei ao fim d’A noite do Oráculo porque já estava familiarizada com as personagens, porque me colocava na mente de Grace, e me enraiveci com a traiçãozita de Sidney e me senti com o peito apertado no final do livro como no filme “Irreversível” (Irreversible de Gaspar Noé, em francês soa muito melhor).
Comecei a ler Paul Auster com A Trilogia de Nova Iorque no ano passado por sugestão do Manuel .
Publicado por cccristiana em
03:29 PM
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